Lula descarta vender Correios e diz que dívida pública não preocupa

  • 27/08/2026
(Foto: Reprodução)
Lula (PT) responde sobre crise nos Correios O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, descartou nesta quinta-feira (27) a possibilidade de privatizar os Correios e afirmou que pretende recuperar a estatal, que acumula quatro anos seguidos de prejuízo, em um rombo histórico de R$ 15 bilhões. Em entrevista à Globo, Lula também disse que a dívida pública brasileira não o preocupa e defendeu que o crescimento da economia ajudará a reduzir o peso do endividamento. Sobre os Correios, o presidente afirmou que as dificuldades da empresa não são recentes e descartou a possibilidade de privatização. “Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios”, disse. Lula afirmou que pretende recuperar a estatal e que, caso seja reeleito, os Correios sairão do déficit. “Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer”, declarou. Presidente Lula, que tenta a reeleição Globo/ Manoella Mello Para Lula, os Correios têm importância estratégica por estarem presentes em todos os municípios brasileiros. O presidente reconheceu, porém, que a estatal não conseguiu acompanhar as transformações no mercado de entregas e o avanço de empresas concorrentes. “Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.” Segundo Lula, a empresa está agora sob uma nova administração, encarregada de “fazer o enxugamento que for necessário”. Ele disse ainda que, se preciso, poderá buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar e melhorar os serviços oferecidos pela estatal. “A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.” Dívida pública Lula (PT) responde sobre ajuste fiscal Questionado sobre quais são suas metas para a dívida pública nos próximos quatro anos e para qual percentual do PIB pretende reduzir o endividamento, Lula afirmou que a dívida “não preocupa”, mas não indicou um patamar a ser perseguido. Na pergunta, foi citado que a dívida pública ultrapassou R$ 10 trilhões e chegou a 82% do PIB, com alta de 10 pontos percentuais durante o atual governo. Lula atribuiu o avanço, entre outros fatores, à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit fiscal de 2,8% que, segundo ele, “herdou” do governo de Jair Bolsonaro (PL). O presidente argumentou que o crescimento da economia é parte da solução para reduzir a dívida em relação ao PIB e citou o endividamento de outros países para sustentar sua avaliação. “Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB”, disse. Veja a íntegra da entrevista: Tralli e Renata entrevistam Lula, candidato à reeleição pelo PT; veja íntegra Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo A entrevista com Lula foi a quarta de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema(Novo); na terça (25), Ronaldo Caiado(PSD); e na quarta (26), Renan Santos (Missão). Reveja como foram as entrevistas de Zema, Caiado e Renan. A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos. Confira a data das próximas entrevistas: 28 de agosto (sexta-feira): Flávio Bolsonaro (PL) 29 de agosto (sábado): Augusto Cury (Avante) Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay. O 1º turno das eleições será em 4 de outubro. Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República Divulgação Quem é Lula Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da história do Brasil e tenta, em 2026, chegar ao quarto mandato presidencial. Se for reeleito, poderá completar 16 anos no Palácio do Planalto. No terceiro mandato, o governo aprovou a reforma tributária, ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, mas também enfrentou crises como as fraudes no INSS, investigações envolvendo um dos filhos do presidente, dificuldades no Congresso e embates com os Estados Unidos. Lula em bancada para entrevista com presidenciáveis Globo/ Manoella Mello Nascido em Garanhuns (PE), Lula mudou-se aos 7 anos para São Paulo com a mãe e os irmãos. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica. Em São Bernardo do Campo, tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ganhou projeção nacional ao liderar greves no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar. Em 1980, participou da fundação do PT. Depois de derrotas nas eleições de 1982, 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006, deixando o cargo em 2010 com 87% de aprovação. Nos dois primeiros mandatos, Lula teve como principais metas a redução da pobreza e da desigualdade social e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família, ProUni, Minha Casa, Minha Vida e PAC. A trajetória política também foi marcada pelo Mensalão e, posteriormente, pela Operação Lava Jato. Condenado em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula sempre negou as acusações, foi preso em 2018 e permaneceu 580 dias em Curitiba. Em 2021, o STF anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo os direitos políticos e tornando-o novamente elegível. Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão contra o bolsonarismo, reunindo antigos adversários, adotou um discurso mais ao centro e venceu Jair Bolsonaro, retornando ao Planalto para o terceiro mandato. Além das medidas econômicas e sociais, o governo ampliou a estrutura administrativa e recriou ministérios. O mandato, porém, também foi marcado por críticas à estratégia econômica, aumento dos gastos públicos, dificuldades na relação com o Congresso e investigações envolvendo o filho Fábio Luís da Silva. Em 2026, o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência, tendo Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice. Veja as principais propostas de Lula, registradas no plano de governo entregue ao TSE: Fortalecer a democracia brasileira e promover uma reforma política e eleitoral. Defender a soberania brasileira e rejeitar tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros ou de reduzir a autonomia nacional. Avançar na regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais, preservando a liberdade de expressão. Democratizar o orçamento público, priorizando recursos para quem mais precisa. Promover um debate com a sociedade sobre o sistema de emendas parlamentares e enfrentar o que o programa classifica como uma distorção na elaboração e gestão do orçamento federal. Manter o arcabouço fiscal aprovado em 2023. Adotar uma política macroeconômica voltada ao crescimento, à redução das desigualdades, à valorização do trabalho, à responsabilidade ambiental e fiscal, à queda dos juros e ao controle da inflação. Criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e responsabilidade fiscal. Manter, aperfeiçoar e ampliar políticas de proteção social, incluindo justiça tributária, valorização do salário mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde e programas de transferência de renda. Dar continuidade à política de valorização do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social. Apoiar o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, nos termos aprovados pela Câmara. Aprovar a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo e criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar as políticas nacionais da área em articulação com estados e municípios. Combater o crime organizado e fortalecer a integração entre os entes federados, a inteligência estatal, a prevenção da violência e a proteção dos direitos civis. Valorizar e qualificar os profissionais de segurança pública e fortalecer os mecanismos de controle interno e externo da atividade policial. Ampliar o uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para utilização, gestão e preservação das imagens. Fortalecer as Forças Armadas e a indústria de defesa, com equipamentos e capacidade para proteger o território e os recursos naturais brasileiros. Buscar autonomia estratégica, inovação tecnológica e integração entre defesa e desenvolvimento, combinando persuasão diplomática e capacidade de dissuasão. Tornar o Brasil mais independente e ativo na política externa, ampliando a cooperação e a negociação com diferentes regiões e diversificando parcerias estratégicas. Fortalecer a integração regional, a América do Sul e o Caribe como zona de paz e o Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul. Buscar novos acordos comerciais e mercados para bens e serviços brasileiros e defender os interesses do país com base nas normas internacionais e no multilateralismo.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/27/lula-correios-divida-publica.ghtml


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